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Venda de combustíveis cresce, mas S50 encalha


O faturamento do setor de combustíveis – incluindo gasolina, etanol e diesel – cresceu 11,5% em 2011, em comparação com o ano anterior, passando de 200,1 bilhões para 223,1 bilhões, com uma participação de 5,4 no Produto Interno Bruto (PIB).

 

 

 

 

Consequentemente a arrecadação tributária também subiu no período passando de R$ 60,2 bilhões para R$ 67,3 bilhões, representando uma elevação de 11,8%. Os dados fazem parte do relatório anual da revenda de combustíveis de 2012, lançado pela Fecombustíveis no Rio de Janeiro.

Embora os números do documento registrem um aumento na comercialização do segmento do país, as vendas de etanol tiveram redução de 27,7% no período. “Tivemos uma série crise com o etanol, pois em nenhum estado brasileiro o valor do combustível foi menos de 70% do preço da gasolina. E, nesse caso, o consumidor migra instantaneamente para a gasolina”, explicou o presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda Soares. Segundo ele, o governo federal tinha conhecimento de que havia uma crise nos produtores de etanol, mas somente os postos foram penalizados, com acusações por prática de preços abusivos, formação de cartel, entre outras. Em 2010, foram vendidos 15,07 milhões de litros de etanol, volume que caiu para 10,90 milhões de litros em 2011.

Enquanto a comercialização de etanol não anda bem, a de gasolina registrou aumento de 18,9% no ano passado, saindo de 29,84 milhões de litros, em 2010, chegando a 35,49 milhões de litros no ano passado. E os negócios com o óleo diesel também aumentaram, em uma variação de 5,4%.

Projeções

Segundo Miranda, a expectativa do setor varejista de combustíveis é de que haja um crescimento nas vendas e, no mínimo, 2,5% a 3% neste ano, porém o etanol deverá continuar sem competitividade. “Dificilmente, essa crise do etanol se resolverá em dois, três anos”, projetou.

O dirigente adiantou também que os revendedores aguardam alguma compensação tributária para o preço do diesel de baixo teor de enxofre (TBTE), já que havia um compromisso do governo federal de que o produto não tivesse preço muito diferente do S500. “No entanto, hoje, temos várias notas fiscais mostrando uma diferença de 0,12 a 0,15 centavos”, lamentou.

Talvez uma das maiores dificuldades enfrentadas no setor varejista, nos últimos meses seja a comercialização do diesel de baixo teor de enxofre (TBTE), o S50. À venda nos postos desde o início de 2012, a queixa dos revendedores é de que o produto encontra-se encalhado nos tanques devido à ausência de frota necessária (caminhões com tecnologia Euro 5).

“O S50 está em todos os cantos do país. Ele é inegavelmente melhor, mas cadê o consumidor? Cadê o caminhão? Cadê o veículo?”, indagou o diretor de postos de rodovias da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto. Ele participou do painel “Os desafios trazidos pelo baixo teor de enxofre”, evento ocorrido após o lançamento do Relatório, em que apontou algumas barreiras para a comercialização do DBTE.

Segundo ele, embora o combustível esteja disponível em rede nacional, o custo é um desestímulo muito grande para o consumidor, pois ficou bem acima do projetado pelo mercado – em torno de R$ 0,12 mais caro do que o S1800.

Outro fator levantado por Hashimoto é que as montadoras iniciaram este ano com estoques elevados de caminhões Euro 3, que abastecem com diesel tradicional. Sem contar que esses veículos com tecnologia anterior ainda podem ser encontrados nas concessionárias até o fim dos estoques. “O que acaba desencorajando a aquisição de Euro 5”, justificou. O diretor afirmou também que, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), até meados de março, havia 500 a 600 veículos com motor Euro 5 circulando no mercado brasileiro.

No mesmo sentido argumentou o presidente da Fecombustíveis, ao afirmar que a frota de caminhões que está na rua não está abastecendo. “Estamos vendendo o S50 baixando o preço e desovando-o para todo mundo para não se deteriorar, porque ele não pode ficar 90 dias parado em um tanque”, alertou Miranda Soares.

Além de um novo combustível, os veículos com motor Euro 5 ainda necessitam utilizar o Arla-32, insumo adicionado em um tanque auxiliar do caminhão, indispensável para a redução de emissão de poluentes, e que tem prazo de validade. “É mais um produto que está encalhado no posto. E há veículos que já estão saindo da concessionária abastecidos com este fluido”, reforçou Hashimoto.

Mudança de cenário

A expectativa de toda a cadeia, desde os fabricantes de caminhões até os revendedores de S50, é de que o panorama atual se modifique e que o combustível passe a ter mais saída entre os consumidores. “Vai mudar, mas temos que ter paciência. Nós também estamos perguntando ‘cadê o cliente?’. Estamos preocupados, alertas e receosos, mas olhando para frente de forma positiva”, avisou o coordenador de assuntos governamentais e institucionais da Volvo do Brasil, Alexandre Parker.

Ele ponderou que, para a moradora, o “melhor dos mundos” seria que o Brasil tivesse um só diesel e que a fábrica pudesse negociar caminhões e abastecê-los somente com um único combustível. “Assim, fizeram os Estados Unidos e a Europa, mas custa muito caro essa conta”, argumentou.

Na visão de Parker, toda a mudança de fase de caminhões veiculares traz um período de pré-compra de veículos, situação também mencionada pelo diretor da Fecombustíveis, Flávio Hashimoto. “Viramos o ano com 200 caminhões com motor Euro 3 estocados, que foram vendidos em janeiro. E nosso estoque de Euro 5 está alto na fábrica, pois produzimos mais do que o necessário”, expôs o representante da montadora.

Para o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Allan Kardec Duaillibe Barros Filho, a venda antecipada de caminhões com tecnologia mais antiga já era algo previsto. “É natural que isso ocorra”, declarou. No entanto, ele comunicou que os estoques de caminhões do ano passado já foram zerados. Embora as companhias distribuidoras de combustíveis e postos não vislumbrem, a curto prazo, um quadro muito favorável com relação ao diesel de baixo teor de enxofre, a Volvo prevê um cenário melhor até o final deste ano. “A montadora acredita que o mercado de 2012 será 10% menor do que 2011, o que faz com que finalizemos o ano igual a 2010, que foi excelente”, conclui Parker.

“Acabando os estoques, o mundo vai retomar o caminho normal”, antecipou o presidente da BR Distribuidora, José Lima Neto. Ele espera que o mercado, naturalmente, resolva o problema da falta de veículos em circulação e o consequente encalhe do produto nas recendas. “Quando  houver caminhão circulando, todas as distribuidoras serão chamadas para instalar tanques. Mas o problema é até lá, questionou.

Da mesma opinião, o presidente-executivo do Sindicom, Alísio Vaz, disse que as dificuldades eram esperadas. “A introdução gradual e direcionada de um produto é um desafio, pois há um crescimento lento da demanda”, afirmou.

De fato, em dezembro de 2011, das empresas filiadas ao Sindicom, foram vendidos 254 mil metros cúbicos de S50, do total de 3.568 mil metros cúbicos de diesel comercializado, o que representou 7,1%. Quatro meses depois, em abril deste ano, o volume negociado praticamente se manteve estável, pois foram 274 mil metros cúbicos de S50, do total de 3.598 mil metros cúbicos comercializados, representando 7,6% do total.

 

 

 

Fonte: Jacson Miguel Stulp - CaseMKT, com informações da revista Posto Avançado.



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