Tal entusiasmo se justifica, basicamente, pelo custo desse instrumento, inferior ao de ferramentas tradicionais, como o empréstimo bancário, e pela possibilidade de financiar o valor total do produto. Porém, o consórcio não cai bem para todos os tipos de consumidor. A fim de evitar decepções, os especialistas explicam que essa alternativa é mais indicada para quem:

1 – Não tem pressa em adquirir aquele bem
“O brasileiro sempre é muito otimista, acha que vai ser sorteado logo para receber a carta de crédito. Mas precisa estar preparado para o caso de demorar”, alerta Virginia Oliveira, professora da Fundação Dom Cabral. Afinal, alguém tem que ser o último da lista. Se o veículo desejado vai ser utilizado para trabalho, por exemplo, é melhor buscar outra opção para a compra. O mesmo vale no caso de um imóvel quando o interessado quer sair rápido da casa dos pais ou porque a data do casamento está se aproximando. Quando se está morando de aluguel, é importante lembrar também que a mensalidade vai se somar a essa despesa enquanto não se é contemplado ou não se consegue fazer um lance.
2 – Consegue dar um lance alto logo
Lance alto é alto mesmo. Dependendo do grupo, às vezes é preciso oferecer até 50% do preço do bem para arrematar a carta de crédito. Havendo condições de fazê-lo, o cliente aproveita ao máximo as vantagens do consórcio. “O consumidor pode planejar usar receitas extras, como o décimo terceiro salário, para perfazer a verba necessária”, sugere Paulo Rossi, presidente executivo da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios). “E, com a carta de crédito na mão, tem o poder de quem compra à vista, negociando descontos.”
3 – Está pensando em trocar de carro, se mudar para uma casa maior ou adquirir um imóvel de veraneio
Nessas situações, é possível esperar tranquilamente para comprar o bem.
4 – Não é disciplinado para economizar
O desejo de ter um apartamento ou um automóvel frequentemente tropeça na falta de determinação para guardar dinheiro. A mensalidade do consórcio acaba funcionando, então, como uma poupança compulsória que ainda oferece a chance de compra do produto antes que se consiga juntar todo o montante.
5 – Possui alguma restrição de crédito
Dependendo da situação, as companhias que vendem os consórcios até podem (não é uma regra, frise-se) ser um pouco mais flexíveis ao aceitar um membro que esteja com o nome sujo e, por isso, não obtém empréstimos de outras instituições financeiras. Até que seja contemplado ou faça um lance, o consumidor está apenas fazendo uma poupança, e existem seguros que cobrem a eventual inadimplência de membros do grupo. Somente no momento em que recebe a sua carta de crédito o cliente deve apresentar garantias de que honrará os pagamentos das mensalidades. Antes de fazer um consórcio, o consumidor deve conferir se a companhia é devidamente autorizada a operar pelo Banco Central (www.bcb.gov.br).
(Jacson Miguel Stülp - CaseMkt,)